sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A IGREJA BRASILEIRA VAI RESISTIR?

Observo com perplexidade a igreja evangélica brasileira atual, entendendo que a mesma está cada vez mais envolta por contradições que vão de um extremo ao outro. Se por um lado os pentecostais, sufocados pelos movimentos batizados de neopentecostais, se mostram cada vez mais místicos e sincréticos, por outro os tradicionais e históricos vão se afundando no liberalismo e secularismo que os tornam uma ameaça maior que a própria incredulidade e ignorância do Evangelho.

Não só nas questões cúlticas e teológicas, mas o próprio testemunho evangélico se esvai de significados. A julgar pelos escândalos envolvendo lideranças e demais expoentes da igreja evangélica brasileira, está difícil saber quem é quem! Se formos falar da dubiedade verificada nos evangélicos nominais vez por outra flagrados em bebedeiras, adultérios, ilícitos financeiros, etc., então, faltaria espaço para relacionar exemplos que envergonhariam até quem desconhece a Bíblia por completo.
Antigamente se preconizava que nós, os crentes brasileiros chegaríamos às grandes mídias; que seríamos expoentes na política, enfim, que teríamos mais influencia na sociedade de um mundo geral. Pois bem, chegamos lá e daí? Que diferença estamos fazendo? Que vantagens observamos ao vermos um número cada vez maior de crentes nos esportes, na política, nas artes, etc.? Respondo: Quase nenhuma!
                                                                              
Pode parecer pessimismo, mas às vezes penso que as coisas só tendem a piorar por aqui. A história está aí para mostrar que, assim como a Igreja quase desapareceu por completo em vários países (em alguns lugares foi totalmente banida), a igreja brasileira pode experimentar um fracasso semelhante. Tão jovem e ao mesmo tempo tão abusada, tão contaminada e dividida. Que pena...
Mas há esperança – pelo menos é o que acho. Ainda existe muita gente que leva o Evangelho a sério; gente que entende que não é suficiente ser evangélico da igreja X ou Y; que percebe a necessidade de ser mais que crente – ou é sal e luz ou não é nada; gente que sabe diferenciar um convertido de mero religioso; gente que entende muito bem a diferença entre santidade e mundanidade; gente que sabe que o estilo de vida do salvo é bem diferente da vida dos perdidos.
Apesar de tudo, minhas sinceras orações vão de encontro às minhas observações. Oro para que a Igreja resista sim; que prevaleça sobre os escândalos, divisões, heresias e demais abusos verificados quase todos os dias em nosso meio. Peço para que o Senhor tenha misericórdia dos remanescentes, e para que eles resistam sim! Maranata!
- pr Aécio -

terça-feira, 25 de junho de 2013

ANTES DE RECLAMAR DA SUA IGREJA…

Avalie sua conduta em relação a ela.

Na lida pastoral a gente se depara com muitas pessoas insatisfeitas com a igreja da qual participa. Não raras vezes tive (e tenho) que ouvir e tratar de pessoas trazendo as mais variadas reclamações e queixas sobre tudo o que vê em nosso meio – imagine “variadas reclamações” que podem ir de reivindicações plausíveis às mais ridículas exigências.
Mas, será que só reclamar ou reivindicar ajuda? Obviamente que não! Ainda mais quando as reclamações vêm daqueles que nada ou pouco fazem pela igreja ou pela irmandade! Aliás, vou além: Em geral, quem mais reclama nas (ou das) igrejas é quem não faz nada! Verdade seja dita, quem se ocupa nas tarefas da igreja, quem tem espírito cooperador não tem nem muito tempo para reclamar ou reivindicar e, quando o faz, não só tem moral para fazê-lo, como junto com as reclamações traz sugestões e se oferece para melhorar aquilo que não está funcionando bem.
Igreja é um lugar não só de culto e oração, é lugar de serviço! Todo crente deve saber disso, mas muitos – a maioria com já disse – se fazem de rogados! A Bíblia diz isso, Jesus é o maior exemplo; os apóstolos deram exemplo; a igreja primitiva mostrou isso e por quase todo o Novo Testamento, em especial nas cartas Paulinas, encontramos uma enxurrada de versículos que exortam os crentes ao trabalho; a arregaçar as mangas e a por a mão na massa em suas igrejas!
Há dois dias fui procurado pela evangelista de nossa igreja, a qual propôs uma lição exclusiva sobre serviço no discipulado preparatório para o batismo. Vibrei com a proposta e lamentei por não ter percebido a falta de ênfase sobre o assunto no período mais fértil e produtivo do cristão, que é o início da conversão, o primeiro amor – fica a dica para os pastores que lerem essa breve mensagem.
Poderia dar uma lista de versículos que confirmaria cada palavra que digitei até agora, mas vou terminar diferente. Termino apelando para a inteligência e consciência de quem que faz parte de alguma igreja (se grande ou pequena não importa agora): Você é um crente ativo, participativo em sua igreja? Tem aplicado seus dons, habilidades, tempo extra e demais recursos para o bem de sua irmandade local?
Caso não possa responder positivamente perguntas acima, aconselho ao amado (a) que não reclame mais de sua igreja, dos obreiros, da liderança ou dos pastores. Repense e reavalie sua postura, critique a si mesmo e reclame de sua própria conduta em relação ao rebanho da qual faz parte e, depois, peça perdão por sua inércia – se for o caso – e comece a fazer tudo diferente do que vem fazendo até agora. Em resumo, ao invés de reclamar, trabalhe na obra de Deus... Mantenha-se ocupado na Causa de Jesus!
Um abraço,
- pr Aécio -

terça-feira, 2 de abril de 2013

QUANDO PENSAR EM DESISTIR, DESISTA...


- Desista do espírito de autopiedade, que leva muitos a perder o melhor da vida: A capacidade de lutar por tudo aquilo que almeja e acredita!

- Desista da atitude mesquinha de achar que o mundo gira em torno de si, e que por isso ele vai parar até que você recobre o ânimo.

- Desista da postura burra que confunde mediocridade com humildade. Aquela se vende a qualquer preço, mas esta suporta tudo sem abrir mão do que é mais precioso: O caráter!

- Desista de pensar que nasceu azarado ou fadado ao fracasso. Todo ser humano nasce com 100% de chance de dar certo, e 100% de chance de dar errado - tudo depende de como cada um encara os desafios de sua própria existência.

- Desista das desculpas tolas e dos motivos frívolos para justificar sua inércia ou comodismo.

- Desista de esperar dos e pelos outros, saia na frente e faça por você o que ninguém deve fazer.

- Desista de querer ser outra pessoa. Acredite que você pode ser tão ou mais capaz, tão ou mais bem sucedido que qualquer um que tenha chegado ao topo.

- Desista do orgulho e da presunção de achar que nunca vai precisar de ninguém. Peça ajuda, dicas, orientação e conselho sempre que precisar.

- Desista de ficar lambendo as feridas do passado. Faça com que seu presente funcione como trampolim para um futuro glorioso.

- Desista de "chafurdar" no charco do ódio, do rancor e da vingança. Jesus nos ensinou a amar, perdoar e acolher até mesmo aqueles que nos odeiam.

- Desista de dar demasiada atenção às opiniões alheias, tenha suas próprias convicções.

- Desista de querer ser Deus. Concentre-se naquilo que você pode e deve fazer, deixe os milagres para Ele!

- Desista de insistir teimosamente naquelas posturas e comportamentos erráticos. Mude a mente, mude de atitude, e o curso da sua vida vai mudar também.

Por enquanto é só... Um abraço!

- pr Aécio -

terça-feira, 5 de março de 2013

MÚSICA EVANGÉLICA: POR QUE SE CANTA CADA VEZ MENOS SOBRE O CÉU?

Lembro-me com muita alegria do dia em que entrei pela primeira vez numa igreja evangélica, evento que ocorreu poucos dias após minha conversão. As primeiras impressões, os primeiros contatos, as primeiras sensações, os primeiros sons... A primeira música (ou hino, como queiram) que me encantou, etc. Sim, a primeira vez que uma música que não fazia parte do meu repertório de preferências – bem limitado, por não ser uma pessoas tão dada à musica assim – foi uma canção um tanto quanto melancólica da Harpa Cristã. Trata-se de “O Exilado”, que no hinário citado leva o número 36.

Embora o ritmo e a letra soassem bem estranhos ao meu limitado gosto, eles não fizeram tanta diferença assim, pois o que me prendeu mesmo foi uma espécie de Déjà vu, aquela sensação confusa do tipo “eu já estive aqui”. Mas, muito mais que a sensação de já ter estado ali, no meio das pessoas ou no templo, o que me cativou foi algo muito maior. Pela primeira vez senti a gostosura que é a atmosfera celestial tomando conta do ambiente de culto, quando corações se juntam em verdadeira adoração. Isto, num primeiro momento, foi decisivo para quem se sentia tão vazio, chegando de uma longa e intensa busca de respostas para inúmeras perguntas originadas numa crise existencial (leia-se espiritual), com a qual convivi desde a adolescência.

Lembro-me que alguém esticou o braço na minha direção para que acompanhasse naquele “livrinho de cânticos” a letra de “O Exilado”. Porém, meu pensamento pendia para aquela sensação sobrenatural, que fazia meu coração bater de uma maneira diferente, que despertava emoções que jamais havia deixado que se exteriorizassem – um misto de vontade de chorar, com desejo de rir e gritar de alegria – o que foi difícil conter.

A primeira estrofe reverberou na minha cabeça dias e dias seguidos. Ali, frases que falam do anelo pelo céu, em contraste com os prazeres fúteis do mundo, explodiram na minha alma já nas primeiras linhas:

“Da linda pátria estou bem longe;
Cansado estou;
Eu tenho de Jesus saudade,
Oh, quando é que eu vou?
Passarinhos, belas flores,
Querem m’encantar;
São vãos terrestres esplendores,
Mas contemplo o meu lar.”

De lá pra cá, muita coisa mudou na música evangélica. Parece que aos poucos o céu, ou as realidades eternas vão deixando de ocupar lugar de importância nas composições das letras. Vejo isto com tristeza, e penso que se minha conversão tivesse ocorrido nos dias atuais, talvez ouvisse apenas cânticos que falam de prosperidade, de bênçãos materiais, de conquistas terrenais, etc., e teria perdido aquele “instante de eternidade” que marcou minha vida de uma vez por todas!

Diante do exposto, quero terminar com um apelo aos ministros de louvor, ao pessoal que canta nas igrejas: Por favor, não se encantem com os “passarinhos e belas flores”, cantem mais sobre a “linda pátria” e sobre o eterno “lar”! Tragam de volta aos nossos cultos composições que fazem a gente se sentir no céu, ainda que por uns instantes!

- pr Aécio -

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

PENSANDO LIDERANÇA EVANGÉLICA... DE NOVO

Há muitos líderes evangélicos orgulhosos, que vivem cometendo erros e pecados grosseiros. Muitos destes enganam, humilham e exploram incautos. Mesmo assim, tais líderes se acham dignos de continuar conduzindo trabalhos e ministérios. Ironicamente, eles se esquecem, ou fingem não saber que o juízo de Deus será um horror quando cair sobre suas vidas!
Você, líder, não deve jamais se conformar com a liderança em si, achando que o fato de ter galgado mais um degrau o faz melhor que outros: Seja servo, seja cristão, seja convertido, seja acessível, seja temente, seja submisso, seja humilde, seja fiel, seja honesto, seja modesto, seja franco, seja solícito, seja sensível, seja tolerante, seja amoroso, seja humano, seja agradável, seja amigo, seja verdadeiro, enfim, seja um crente de verdade!

Você, líder, não pode se dar ao luxo de querer mascarar ou esconder uma vida sem oração, sem o estudo e a leitura devocional da Palavra de Deus. Você não pode achar que vai conseguir esconder pra sempre sua insensatez... Uma hora a casa cai, a máscara também! Você também não deve pensar que as pessoas não o observam, que não veem como seu lar é infeliz, como seus relacionamentos são superficiais e o quanto do seu discurso destoa das suas práticas!

Você, líder, foi chamado (se é que não chegou onde chegou na garupa do favoritismo, pela prática da usurpação ou pelas mãos camaradas) para ser mordomo. Você não é patrão, não é dono de nada!

Você líder não tem que mandar, tem que dar o exemplo e, assim, as pessoas vão te seguir! Autoridade é isto: EXEMPLO!

Ah! Antes que me esqueça: Você líder deve ser o mais autêntico possível! Por favor, não queira ser a caricatura ou o clone de figuras famosas! Entenda de uma vez por todas que é melhor ser um anônimo que vai para o céu do que uma celebridade que estará no inferno! Siga a Bíblia! Não corra atrás de movimentos que vão e vem - muitos destes movimentos são tão podres quanto atraentes!

Pra terminar, meu caro líder, não se deixe mover pelas recompensas, pelos elogios ou pelo reconhecimento. Preocupe-se em honrar Àquele que o separou para essa tarefa, zele pelo bom nome do Evangelho, cuide das pessoas como gostaria de ser cuidado e tenha um testemunho pautado na santidade e na graça!

É isso...

Um abraço!

- pr Aécio -

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

ACRÓSTICO - 4














Outra vez Natal

Nessa época do ano tudo fica muito agitado e
Até hoje, não entendo muito bem por que é assim.
Tanta gente se atropelando nas ruas, lojas, mercados…
Até parece que é o fim do mundo!
Loucura geral.

De que adianta tanta correria?
O verdadeiro sentido do Natal nem é isso!
Sonho com um Natal onde há troca de gentilezas em vez de presentes!

Mais que comida e bebida fartas, bastariam abraços, afagos...
Estender a mão aos desvalidos e
Unir-se àqueles que fazem o bem.
Sim, é assim que deveria ser o Natal!

Sei que soa infantil, mas
Opto, porém, pelo sonho.
Não quero Natal só 25 de dezembro.
Hoje, amanhã... Todos os dias podem ser natalinos.
O mundo seria diferente se fôssemos mais generosos e
Solícitos todos os dias e não só no final de cada ano!

- pr Aécio -

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

APARÊNCIA E ESSÊNCIA



Minha conversão ao Evangelho ocorreu no tempo em que paletó e gravata para os homens, saia e cabelo para as mulheres ainda eram sinônimos de santidade na maior parte das igrejas evangélicas – principalmente as de cunho pentecostal. Quanto mais alinhadas e modestas as vestes ou os penteados, maior a aura de santo ou de santa.

Lembro-me, por exemplo, que na pequena congregação da qual era membro se realizava uma vez por semana o chamado “culto de doutrina”, reunião em que o pastor gastava 90% do tempo de sua preleção falando sobre roupas, penteados, comportamentos, adornos, maquiagens, televisão, etc., e, pasmem, quase tudo com “base bíblica” (naquelas tipo “texto fora do contexto...”)!

Pois é, os tempos mudaram e muita coisa mudou de lá para cá. Com pequenas variantes e raríssimas exceções, nem mesmo as igrejas (ou denominações) mais rígidas resistiram a prova do tempo na observância daquilo que convencionamos chamar de “usos e costumes”. Os irredutíveis “pastores-delegados” sucumbiram ao ditames do novo milênio, e tiveram que abrir mão das exigências dos membros se vestirem assim ou assado – de vez em quando fico pensando em como é que os tais “pastores-delegados” que ficaram para assistir a transição das eras conseguem explicar, se é conseguem, que aquilo que antes era proibido hoje não é mais.

Passou a era da santidade de fachada e chegamos aos “tempos de unção”, afinal, quanto mais ungido o indivíduo, mais na crista da onda do momento! Todo mundo quer mais é receber a “unção da vitória financeira”,a “unção da ousadia”, a “unção da multiplicação”, a “unção das portas abertas” ... Ufa! Haja apelido para tanta unção!

Acontece que, assim como no passado havia uma vitrine que exibia a pseudo santidade, os “ungidões” de hoje precisam ostentar, eles têm que parecer melhores, mais abastados, mais “cheios da grana” e por aí vai – é muita frescura pro meu gosto!

Naquele tempo a santidade estava nas roupas bem comportadas, no cumprimento do cabelo (no caso das mulheres), ou na rigidez do estilo de vida. Hoje é bem diferente, a “unção” pode até estar nas roupas, desde que sejam de grifes caras! Mas também, a “unção” pode estar nos carros luxuosos; nos roteiros turísticos “five stars”; enfim, na extravagância, na opulência! A equação é bem simples: quanto mais aparência de rico, quando mais purpurina, mais ungido é o irmão!

(Se fosse falar dos pregadores e artistas gospel afetados pela “paranoia da unção da estrelinha” teria que começar um texto exclusivo só pra eles, e a coisa iria ficar mais feia – vou deixar para outra oportunidade.)

A propósito, nem tudo está perdido. Creio piamente que ainda há os milhares que não se dobraram ao Baal das aparências. Sim, são aqueles que entendem que Evangelho de verdade não é casca, é conteúdo!
Há aqueles que experimentam dia a dia a profundidade da graça e do amor de Deus, logo, não precisam se “drogar” com a superficialidade da religião de consumo, nem com a fé “coisificada”. Há aqueles que sabem diferenciar muito bem a aparência da essência: aquela se conforma com as insignificantes gratificações desta vida, esta ambiciona o que eterno!

“Isto, porém, vos digo, irmãos, que o tempo se abrevia; o que resta é que também os que têm mulheres sejam como se não as tivessem; e os que choram, como se não chorassem; e os que folgam, como se não folgassem; e os que compram, como se não possuíssem; e os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa.”  -  I Co 7.29-31

Um abraço!

- pr Aécio -