quinta-feira, 13 de setembro de 2012

JEITINHO BRASILEIRO, GAMBIARRA E FÉ

Não sei se justa ou injustamente, nós brasileiros somos conhecidos como “o povo do jeitinho”.

Coincidência ou não, há, inclusive, um ditado (quase um slogan) popular que reza: “Tem jeito pra tudo, menos pra morte!”.

Este negócio de generalizar sempre incomoda aqueles (a maioria, creio) que não se enquadram nessa forma já consolidada de alguns de fora nos enxergarem – acho até que todas as culturas, em todos os cantos desse mundão por aí carregam algum traço comportamental que pode ou deve incomodar, assustar e até escandalizar os outros, iguais ou piores do que este tal “jeitinho brasileiro”.

A propósito, já que toquei no assunto, é também muito comum por aqui lançarmos mão de alguns artifícios de improvisação que chamamos de “gambiarra” (tenho um amigo que costuma brincar dizendo que se formou na fictícia “FAGAMSP – Faculdade de Gambiarra de São Paulo”).

Gambiarra é aquele artifício geralmente paliativo ou provisório que usamos para escorar um móvel quebrado, remendar uma parede rachada, prover iluminação de emergência, encobrir uma trincadura de um objeto qualquer. É um “puxadinho” aqui, uma extensão ou “bico de luz” ali e um “gato” acolá e mais o que a necessidade, a imaginação e os materiais ao alcance das mãos possibilitarem fazer.

Cresci vendo gambiarras e até hoje as vejo espalhadas por onde ando!

Até eu, que não sou mestre no assunto, já lancei mão de umas “gambiarrazinhas” lá em casa e em situações inusitadas nas muitas viagens. Umas até que deram certo e “salvaram o dia”, mas outras só aumentaram a dor de cabeça...

E quando o jeitinho e a gambiarra se encontram com o comodismo?! O perigo é tudo se estragar de vez e não dar para se aproveitar nada do que se pretendia consertar ou salvar!!!

Nas questões espirituais tudo é bem diferente. Não tem jeitinho que dê jeito, nem gambiarra que conserte os estragos na vida de um indivíduo, quando este se desencaminha e se perde nas questões da fé.

É triste conhecer e saber de crentes que parecem se acomodar num estilo de vida cristã onde nada é efetivo ou permanente, onde tudo é improvisado e transitório. É lamentável perceber que muitos crentes veteranos não se importam com regras, disciplina ou ordem quanto às práticas de orar e buscar conhecimento na Palavra do Senhor. Tenho a impressão de que para aqueles, é normal levar tudo na base de concertinhos aqui e remendinhos acolá, como se isso não fizesse diferença alguma.

Querer dar um jeitinho no mau testemunho, querendo encobrir práticas pecaminosas não confessas e não abandonadas é pura perca de tempo e  de energia. Igualmente, tentar fazer uma gambiarra no intuito de reparar uma espiritualidade de fachada é só mais uma falácia que, quando muito, poderá apenas retardar a queda fatal. 

- pr Aécio -

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

PENSO, LOGO CRITICO

Sou um crítico assumido.

Acredite se quiser, não foi uma escolha. De repente me peguei criticando as mazelas e querelas que observo nas igrejas, ministérios, movimentos, seitas, etc. – para aliviar o descontentamento dos mais, digamos, sensíveis ou "dodóis": Nem minha congregação escapa my friend! Aliás, nem eu mesmo escapo de mim!

Sei que essa conduta me deixa numa situação meio desconfortável (e perigosa), pois conheço a extensão e a fragilidade do meu teto de vidro. Por conta disto, não poucas vezes me sinto como um equilibrista numa corda bamba, sem vara. Outras vezes me sinto acuado... Mas, tenha certeza: Jamais amedrontado! Noves fora, que venha minha porção de críticas, se necessário!

Com o tempo, percebi que até mesmo em nosso afável e carinhoso meio evangélico, se a gente quiser perder (inclusive amigos) é só criticar ou discordar. Se dependesse só da minha vontade não perderia nada, nem ninguém. Entretanto, só há uma coisa que não quero perder de jeito nenhum: a fé! Quanto às outras, sempre que não depender só da minha boa vontade, fazer o quê?

Prefiro ser um crítico assumidíssimo a ser um profeta do óbvio, um papagaio de pirata ou um falastrão interesseiro – já bastam os que estão ocupando alguns púlpitos, lotando congressos e conferências, e outros espaços disputados por públicos que amam um cafunézinho, quando mereciam um cascudo!

Não quero ser, nem imitar a ninguém. Não quero ser Paulo, nem Jeremias... Quero ser o que sou e falar o que penso, nada mais – sinceramente não acho que é pedir muito! Não quero usar as oportunidades para simplesmente levantar o dedo contra A ou B, mas também não as quero para cativar audiências com conversas de botequim. Não me permito fazer demagogia  ou média com quem vive na expectativa de ouvir amenidades, elogios e rasgação de seda.

Ser crítico tem seu preço – pena que não existe teto de vidro blindado (risos)!

Apesar de fazer críticas com o intuito simples de tentar apagar este fogo alimentado pelos desmandos e distorções cada vez mais comuns, principalmente no meio evangélico, percebo que muita gente interpreta como mera intolerância, inveja ou algo semelhante. Ledo engano.

Criticar é pedir para ser criticado também, é pedir para ser sacrificado nos altares profanos da vingança, é se expor a ataques gratuitos, traiçoeiros e covardes às vezes.

Em um exemplo recente, aqui mesmo no Blog, um tal “anônimo” (ou “nhonhônimo”) me pegou pra louco e, na tentativa de esticar o assunto em torno de uma crítica que o mesmo fez a mim, desafiando e provocando o dito cujo com algumas postagens posteriores, parece que o mesmo escafedeu-se... Ser crítico não é para qualquer um mesmo! Aleluia!

Noutro exemplo, mais uma pedrada no meu querido e sofrido teto repercutiu no teto da esposa... Pode?! Há mais ou menos dois anos nem mesmo os docinhos que ela fazia (e faz) para complementar a renda doméstica escaparam do revide. Isto mesmo, as guloseimas da minha MARAvilhosa mulher foram motivo de questionamentos do tipo “... estranho que a esposa de um pastor tenha que vender docinhos” – uma coisa destas nem merece reposta.

Por fim, parafraseando aquela frase antiga e surrada, quero os leitores das minhas postagens, e ouvintes das minhas pregações saibam que “os críticos também amam”.

Um abraço! 

pr Aécio

terça-feira, 3 de julho de 2012

NO MEIO DO CAMINHO HÁ UMA IGREJA

A igreja evangélica brasileira tem experimentado um crescimento sem precedentes nos últimos 30 anos aproximadamente. Entretanto, este crescimento (ainda) não tem sido suficiente para a conscientização de sua tarefa e consequente mobilização para a “Grande Comissão”. Tal afirmação pode ser facilmente constatada ao consultarmos os dados estatísticos que mostram as ações missionárias dentro e fora do país. Exemplos: Número insignificante de missionários proporcionalmente aos membros das igrejas evangélicas; investimentos irrisórios em missões comparativamente a outros investimentos; ausência de ensino sobre o assunto, resultando no pouco conhecimento, ou ignorância total sobre o tema (incluindo lideranças); etc.

O poeta disse “no meio do caminho tinha uma pedra”, o missionário diz “no meio do caminho há uma igreja”! É isso, a igreja local se transforma em uma “pedra de tropeço” no meio do caminho quando não cumpre seu devido papel. 

Ao longo dos anos aprendi pelas leituras, pesquisas, experiências e observações que independente do tamanho e da estrutura, qualquer igreja local pode contribuir significativamente para o avanço mundial através de ações simples, porém, surpreendentemente eficazes no resultado final.

Dentre estas ações estão a conscientização e mobilização dos crentes; a captação e a devida aplicação de recursos financeiros; o despertamento, treinamento, envio e sustento de vocacionados para o campo.

Estas últimas parecem complexas, mas se nos atermos menos às questões funcionais, burocráticas e técnicas nas ações missionárias, focando a obediência a ordem de Jesus, então, concluiríamos que nossa parte é cumpri-la, o resto é consequência!

- pr Aécio -

sexta-feira, 15 de junho de 2012

ACRÓSTICO - 3












Pastores,
Respirem fundo e prestem bem
Atenção no que estão fazendo:

Falam muito,
Amam a comida e a bebida, mas
Levianamente se esquecem do rebanho!
Adormecem e
Riem do choro alheio!

Atenção pastores!

Vocês não perdem por
Esperar! Aquele que julga os corações ainda é
Rei e Senhor da Igreja!
D’Ele não vão escapar!
A hora de contar das ovelhas está chegando, e cada um
Dará conta das que lhes foram confiadas.
Escutem, acordem pastores!

- pr Aécio - 

sábado, 5 de maio de 2012

FAMÍLIA: COMO ESTÁ SEU CASAMENTO? – PARTE 1

De “zero a dez”, que nota você daria ao seu casamento hoje?
Se a nota foi de “zero a cinco”, é preciso lembrar que já passou da hora de “dar uma turbinada” neste relacionamento aí, e tudo pode ser uma simples questão de decisão, de atitude. Afinal, não há nada que não possa mudar quando ambas as partes se dispõem e se empenham em virar o jogo.
Por nota de “seis a dez” não entenda que tudo vai às mil maravilhas, e que nada mais pode ser acrescentado ou melhorado. Todo casal precisa ter a consciência de que devem reinventar seu relacionamento conjugal a cada dia, se quiser evitar a estagnação e o desgaste.
Há vários fatores (vide lista abaixo) que influenciam nestas variações de “notas”. Com isto, quero apenas sugerir aos leitores um exercício simples e pessoal, uma maneira prática de mensurar a “temperatura” da relação.
Embora alguns destes fatores pareçam insignificantes, o simples fato de ignorá-los os torna potencialmente letais, podendo, portanto, levar até mesmo casamentos outrora sólidos ao caos absoluto. Vejamos alguns:
a) – Monotonia: Nada é tão traiçoeiro como o marasmo. Que me perdoem os contrários, mas não vejo graça numa relação em que “todo dia ela (ou ele) faz tudo sempre igual”. Relacionamento em preto e branco enjoa e não resiste a prova do tempo.
b) – Indiferença: Você casou com um(a) companheiro(a) de mármore?! Maridos e mulheres precisam sentir as dores e as alegrias uns dos outros. Devem chorar e sofrer juntos quando a vida não lhes for muito simpática. Por outro lado, não devem perder a oportunidade de celebrar as grandes conquistas, ou de rir e gargalhar até mesmo das futilidades do dia a dia.
c) – Grosserias: Das gentilezas do período de namoro às palavras ríspidas pós altar pode ser só uma questão de tempo (e oportunidade). Palavras também machucam e matam! Então, relax... Conte até mil! Deixe passar o momento da raiva e depois emita suas opiniões ou reivindique suas razões.
d) – Possessividade: Há quem pense que ao casar seu cônjuge tornou-se mais um bem, e que  agora tem mais uma “coisa” dentre todas as que já possuia. Lembre-se do ditado “quem tudo quer nada tem?”. Cônjuges não são “donos” um do outro, portanto, entre ambos não deve prevalecer a atitude de big boss, mas a do respeito e amabilidade.
e) – Comodismo: Maridos ou mulheres relaxados, inertes, preguiçosos, descuidados do ambiente em que vivem e desleixados com a aparência pessoal não percebem que causam um grande desconforto para seus pares! Sai do sofá, deixe a cama mais cedo... Vá para academia, visite regularmente um salão de beleza! Conserte o que está quebrado... Saia do lugar! Mexa-se!
f) – Egoísmo ou individualismo: “Meu salário... Minha conta bancária... Meus amigos... Meu hobbies...”, já viu isto? Vive isto? Relacionamento conjugal pressupõe compartilhamento incondicional em todas as áreas – todas e quaisquer exceções devem ser originadas em concordância.
A lista e comentários acima foram expostos para "cutucar" principalmente os casais, expondo o perigo de permitirem que hábitos ou comportamentos nocivos se instalem em seus relacionamentos. Mostram também a necessidade de eliminá-los sem parcimônia. Caso contrário, no mínimo terão que amargar uma convivência espinhosa e, na pior das hipóteses, verão dedicados e preciosos anos de convivência perdidos num oceano de mágoas e rancores comuns às separações, divórcios, etc.
- pr Aécio -

quarta-feira, 18 de abril de 2012

FAMÍLIA: O QUE VOCÊ ESTÁ ENSINANDO PARA SEUS FILHOS? - PARTE 2

“Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.”  -  Provérbios 22.6 -
“Tal pai, tal filho”.

No início, os bebezinhos trazem apenas os traços físicos que podem facilmente dizer quem é filho de quem. Com o tempo, o jeito de falar, de agir e reagir não deixam dúvidas, confirmam de uma vez por todas que “filho de peixe, peixinho é”.

O trecho bíblico a seguir (que não tem nada a ver com “maldição hereditária”) deveria servir como um alerta aos pais inconsequentes e remissos. Estes se esquecem de que o futuro dos filhos estará seriamente comprometido na hipótese de não se arrependerem e não converterem de seus maus exemplos em tempo (citarei alguns logo abaixo): “... porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.”  -  Gálatas 6.7

O que muitos pais não percebem é que em todo tempo estão semeando através de palavra, atitudes, decisões, comportamentos, escolhas, gestos, etc. Qualquer uma destas coisas sozinhas ou combinadas podem se transformar numa infinidade de “sementes” que germinarão, brotarão e darão seus respectivos frutos.

A lista abaixo é só um esboço, entretanto, destaca alguns dos mais preocupantes e maus exemplos:

- Grosserias: explosões de fúria; agressões físicas e verbais;

- Falta de respeito: palavrões; hábitos e gestos maliciosos;

- Estilo de vida “torto”: Engano; mentira; dissimulação; vícios diversos e outros comportamentos similares;

- Relações “doentes”: Ausência de empatia; falta de diálogo; falta de carinho ou de palavras de motivação.

Algo extremamente sério e digno da nossa atenção é o fato de que só temos domínio sobre a semeadura, sobre a colheita não! Podemos plantar várias sementes, porém, basta uma só delas vingar para dar origem uma planta inteirinha repleta de frutos, cheinhos de sementes que poderão ser boas ou más! Você não vai querer correr este risco, vai?!

Perceba que é um ciclo difícil (talvez impossível) de controlar. Por isso, quanto antes os pais prestarem atenção na qualidade das “sementes” que são lançadas sobre os filhos, mais tranquilos poderão ficar em relação aos frutos que deles procederão.

Eis algumas dicas para os pais:

- Cultivem boas e saudáveis amizades, isto viabiliza influências positivas;

- Mantenham boas relações em todos os níveis sociais, isto fomenta a empatia e o companheirismo;

- Adotem um estilo de vida coerente com tudo o que é correto e justo, isto possibilita a formação pessoas de bom caráter, íntegras e cidadãos responsáveis;

- Sejam criteriosos na questão do respeito às pessoas, isto transmite tolerância e capacita para a boa convivência com o próximo.

Até a próxima!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

FAMÍLIA: O QUE VOCÊ ESTÁ ENSINANDO PARA SEUS FILHOS? - PARTE 1

“Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.”  -  Provérbios 22.6 -

Não é de hoje que se discute a deterioração das novas gerações, no que diz respeito aos valores, aos princípios e demais fatores que regem a moral, os costumes e, consequentemente, as relações essenciais à vida humana.

Da década de 60 pra cá - época que marca a chamada “revolução sexual” - confundiu-se definitivamente liberdade com libertinagem, e iniciou-se uma ruptura comportamental: Nada além de prazer, aventura e protesto!

O mundo, por sua vez, paga o terrível preço desde então, que pode ser mensurado pelos seguintes dados, dentre inúmeros outros:

- sistemática desagregação e degeneração da família como um todo;
- aumento desenfreado no número de abortos;
- índices crescentes de violência em todas as suas modalidades;
- mais e mais dependentes químicos (drogados) fomentando o desgraçado sistema de tráfico de entorpecentes, de armas, etc.;
- absurdo (e sempre crescente) número de crianças “órfãs de pais vivos” nas ruas e abrigadas em instituições governamentais e ONG’s;
- consolidação da exploração sexual de menores (ou prostituição infantil, que em alguns lugares ganha o nefasto codinome de “turismo sexual”);
- etc.

Mas, pouco ou nada adianta inquirir sobre o que observamos nas novas gerações, se nós, pais, não estivermos dispostos a avaliar com franqueza as terríveis falhas em nossos próprios comportamentos.

Pais e mães relapsos, ausentes, violentos, indiferentes, viciados, superficiais, autoritários, hipócritas, obscenos, mentirosos, trapaceiros, vingativos, etc., são indiscutivelmente, os primeiros responsáveis em reproduzir nos filhos seus próprios caracteres – lembrando que há sempre o risco da “cópia” sair pior que o “original”!

A verdade que incomoda muita gente é esta: O péssimo exemplo dos pais dentro de casa “fabrica” aquilo que fora passa a ser conhecido, muitas vezes, como “capeta”, “monstro”, “bandido” e outros nomes não muito simpáticos.

Até a próxima!

- pr Aécio -